múrmuro




aspergiu-lhe no peito,
um sopro de filamentos de cristal
que tinha pedido aos céus, para lhe ofertar naquela noite.
amou-a com nunca tinha amado alguém, sem lhe tocar.
sorriu….
depois chorou
enquanto a pele se arrepiava em verdades
de morte lenta…
no murmúrio, de outras vozes

dist[âncias]




Há distâncias que são palpáveis,
Contadas em metros,
Em distâncias de mapas,
De terras e rios,
De ruas e prédios.
Separações físicas
Que se contornam em abraços,
Que se colmatam com beijos
Enviados em fotos.
Há distâncias que se encurtam,
Em visitas momentâneas,
Em pequenos pedaços de tempo.
Há distâncias que nos matam,
Nos ferem a alma,
Em que as memórias se tornam
Grandes, enormes tormentos.
Que acabam escondidas,
Nos arrefecem os pensamentos,
Nos tornam frios esses momentos.
Há distâncias que são um eterno afastamento,
Do que já foi uma partilha,
Um perfeito entendimento.
Que são o acabar de um sentimento,
Mesmo que possa estar a um passo de tocar,
Um caminho que se segue,
Com outro destino,
Outro encerrar.
E estas são as distâncias que nunca,
Nunca se conseguem encurtar...

deixas-me…




...sempre, um sabor a pouco
na hora da despedida

só…




só...
um leve e suave toque
dos teus dedos
nos meus lábios
o silencio
no remanso de um olhar
um abraço
no pulsar do coração
e a certeza de seres tu eternamente em mim

[in]certeza de mim…




entre os dias e as noites
os factos.
o brilho dos teus olhos
a melodia da tua voz
um cavalo de fogo no meu peito
um grito contra o tempo….
e o olhar perde a textura,
nesta crisálida de saudade além dos ventos.
os rios morrem-me na boca e a esperança deixa-me um travo amargo...
as mãos percorrem-me o rosto e ficam num lugar sentado
no doer de uma prece...
para que não morra submerso nesta incerteza de mim

e depois?…..




E depois!??....
E depois, rezamos um ato de contrição…
Até que  percas o [hábito]

um bom fim de semana para quem aqui passa

mãos dadas….




Dá-me a tua mão,
junta a tua à minha,
quero entrelaçar nossos dedos,
enquanto o nosso corpo caminha...
vamos passear de mãos dadas,
amor que eu tanto quero,
não há coisa mais bonita,
não há gesto mais sincero...
Sinto o calor do teu corpo,
se infiltrando no meu,
enquanto nossas mãos namorando,
encarceram o meu destino no teu...
As ruas não são mais ruas,
aquelas por onde passámos,
são retratos de um amor,
que mão na mão inventámos...

rendas…



Há quem diga que já não rendem o que rendiam…
Outros dizem que levaram um aumento, 
quase incomportável….
rendas de um governo, ingovernável.
Politiquices….Piscar de olho

talvez em Braille….






Gostava de te ler em segredo,
e sentir que me sentias….
os originais rabiscados
o fluente pensamento escrito
Gostava de te ler em segredo
ajustado ao teu corpo,
sem dimensões traçadas..
Deixa-me ler-te profundamente em segredo
numa inspiração de momento…
e se o inspirar for muito pouco…
talvez em Braille….
te pudesse ler em segredo…

reencontros…



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....selados
um bom fim de semana para os/as, que por aqui passam

sei…



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...que um dia,
vou TE encontrar,
porque TE pertenço

Às vezes….




"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."

[ fernando pessoa ]
às vezes ouço-te passar com o vento
Um bom fim de semana para quem aqui passa

Há muito que me deixei de ser




Ficou-me um gemido
na antecipada morte das palavras
que te quis  murmurar
como se estivesses aqui ao lado
A brisa aveludada levou-o
sobre o azul cinza deste mar de amar-te
em círculos que se envelhecem
como as cálidas lágrimas
que me morrem nos lábios
Há muito que me deixei de ser
entre o céu e o chão que piso
em busca de me fundir em ti

sopro suspenso…




Não sei se foi com as ave-marias
Se em outra badalada menos tardia
que o sibilar do vento, falou da tua magia.
Num sopro suspenso, deixou-me envolvido
no teu aroma já não inventado,
na boca a água com o sabor da tua pele
Ébrio de ti, ergui-me ao esplendor da hora…
Rasguei o peito ao feitiço e ajoelhei-me á noite madrasta, das minhas insónias
e os sinos amordaçavam o vento, adivinhando-me o pensamento…
Depois fugiste, como se eu fosse o céu, e tu um pecado…

o bebé chorão….




era um bebé lindo!...bochechudo…grande…parecia que tinha sido enviado do Olimpo, iria ser um belo rapagão.
Todas andavam com ele ao colo, queriam ajudá-lo a crescer, algumas até se ofereciam para lhe dar de mamar…
Um dia…uma delas mais afoita, retirou-lhe a fralda e qual o seu espanto, o futuro rapagão, era uma menina. Espantada!.... deixou cair o bebé e o brinquedo partiu-se…

A mentira tem perna curta,
só é verdade enquanto dura
[muito fora do habitual, mas eu de quando em vez fumo umas brocas ;//]

ando…[te]




…com uma sede que tu nem imaginas

coisas dEla




Caminhamos curvados, carregando nos ombros o peso de uma vida de dissabores, de escolhas trémulas, de rotinas esmagadoras, de sentimentos fechados a cadeado, de vontades reprimidas, de identidades escondidas. Caminhamos com o sentimento de contentamento, de resignação, numa apatia ridícula, numa omissão de auxílio ao nosso próprio ser. Deixamo-lo enterrar-se em areias movediças, esquecemo-nos de o cuidar, sobrevivemos. Só que, acontece sempre sem darmos conta, um dia, nas escadas da vida, provamos um beijo com sabor a chuva e o peso avassalador transforma-se de imediato numa leveza arrebatadora. Caminhamos nas nuvens, de sorriso estampado no rosto, sonhamos acordados, desejamos com todos os poros da nossa pele. Entregamos a chave de um coração que até ali cumpria apenas as suas obrigações e passamos a depositar nele a esperança de palpitar até à exaustão, de um tudo ou nada. Soltamos os sentimentos enclausurados, perdemo-nos num corpo que contém a alma mais bonita, a alma que nos completa, que nos faz sentir únicos, que se encaixa em nós como duas mãos entrelaçadas a passear na rua. Construímos um mundo privado, um mundo que mais ninguém conhece, somos felizes lá. Viciamo-nos nas sensações que aquela voz nos provoca, das palavras ora intensas, ora doces. Viciamo-nos no rosto distraído que pensa em voz alta e nos sorri quando nos surpreende a observá-lo. Viciamo-nos no aroma característico, ímpar, que emana da pele que nos abraça, que nos envolve e nos cuida. Viciamo-nos no toque de umas mãos irrequietas que tanto nos serenam como nos incendeiam. Viciamo-nos no olhar cansado e dormente, terno e doce, enfurecido e fogoso. Viciamo-nos no sexo que nos enlouquece, na língua que nos devora, nas investidas audazes e certeiras, nos orgasmos partilhados, no abafar dos gemidos, no degustar do corpo que amamos sentir colado ao nosso, na partilha, na cumplicidade. Entramos num caminho sem retorno. Apaixonamo-nos.

[ um texto roubado ]

[simples] mente




entre todas as águas
caídas, ainda espero as mil
mais intensas e verdadeiras
para que lavem as invisíveis palavras da ausência
tatuadas neste corpo sem destino, sem memória
e simplesmente fique o cheiro a eternidade da tua pele

o peão….




…de brega raramente medra

“desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado”

[tiago bettencourt]

eterno em ti




deixa-me ficar assim
eterno em ti
até que os corpos
se ergam num outro lugar
e os olhos se abracem
antes de todos os abraços
num entrelaçar de dedos
que nos aprisione ao tempo sem tempo
que fez da espera, um amor glorificado

deixa-me ficar assim
eterno em ti
até que os corpos
se ergam num outro lugar