ESPERAnça
momentuns [ um texto roubado ]
A espera sempre foi leviana
Traz um bafo de euforia alcoolizada
Num grau quase impossível
Nela
Sentam-se todas as hipóteses
E ao longo do tempo solidificam-se estátuas nuas
Bibelots que decoram os corredores vazios
Num labiríntico sorriso
Que se percorre com a ponta da língua
E quanto mais se espera
Mais a espera inebria
Indo da euforia à pura loucura
Vê-se ao longe o que há-de vir
Mesmo que nunca vá chegar
Despe-se o que se irá vestir
Diz-se o que nem sonhámos falar
E continuamos sentados
Deliciosamente
Em espera...
Talvez porque ainda tudo é possível
E foi assim que pela primeira vez surgiram os orgasmos múltiplos