[in]violável





Dissecaram-lhe o corpo…
Na louca procura da sua verdadeira essência.
Adoravam-na tanto… que a queriam ter unicamente para si
Ter, por ter…
Pegaram em bisturis, enferrujados, e com um toque arguto de cirurgião sem juramente a Apolo,
Dissecaram o homem! ….
Vilipendiaram a sua imagem, ao toque de uma música qualquer….
Talvez Paganini, fosse o eleito…
Mesmo que a melodia se altera-se a cada investida no corpo frágil….
E que os bisturis fossem polidos, para que a incisão se torna-se mais minuciosa,
depois do términos, desse esforço inglório,
Não lhe encontraram a essência….
Em tempos conheceram-na!…
Pouco lhe ligaram!…
E ela sempre esteve presente neste corpo….
Agora foge aos bisturis, tresloucados que o perseguem, á tempo… no tempo…
Tornou-se mais essência dentro dela, mesma…
É essência, que viaja em busca de outras essências, que como a sua se sublimam
Pelo gesto…
Pela palavra…
Pelo olhar….
Pelo sorriso
Pela dor partilhada
Pelo toque… mesmo que não materializado mas sentido…
Dissecaram-lhe o corpo…
Mas não lhe roubaram a essência…
Cansado como qualquer jornadeiro  da  vida, irá um dia partir, levando consigo,
tudo o que ainda não teve, mas que o fez feliz…..
E a sua essência… essa ficará para quem nunca lhe tocou, mas sempre a sentiu…
ano 2011